Mulheres gaúchas: são elas que costuram memórias junto com as barras dos vestidos de prenda. Que ensinam, ainda na infância, o valor de um chimarrão bem cevado e de uma mesa farta rodeada de família.
Que fazem do fogão a lenha um altar de histórias, onde o passado e o presente se encontram no cheiro do arroz de carreteiro e do pão caseiro recém-saído do forno.
A figura da prenda, eternizada nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), vai muito além da indumentária impecável. Ela representa conhecimento, postura, respeito às origens e dedicação à cultura. As mulheres que participam dos CTGs estudam história, aprendem danças tradicionais, preservam a etiqueta e os valores que moldam a identidade sul-rio-grandense. Elas não apenas representam a tradição, elas a sustentam.
Na gastronomia, a presença feminina também é fundamental. Embora o churrasco muitas vezes seja associado à figura masculina, são incontáveis as mulheres que dominam a arte do fogo, que conhecem os cortes, o ponto da carne e o tempo certo de cada preparo. Além disso, são elas que mantêm vivas receitas centenárias, transmitidas de geração em geração, garantindo que o sabor da infância continue presente nas mesas de hoje.
Mas manter a tradição não significa viver presa ao passado. Pelo contrário. As mulheres gaúchas têm mostrado que é possível honrar as raízes enquanto se reinventam. Empreendedoras, chefs, artesãs, pesquisadoras da cultura regional e criadoras de conteúdo digital vêm dando nova vida aos costumes do Sul, levando a bombacha, o mate e os sabores da terra para além das fronteiras do estado.
Nas escolas, são professoras que ensinam às novas gerações a importância da Revolução Farroupilha. Nos palcos, são dançarinas que emocionam ao som de milongas e chamamés. Na música, vozes femininas ecoam a força do campo e da querência. Em casa, são mães e avós que mantêm viva a tradição do respeito, da hospitalidade e da união.
Existe uma força particular na mulher gaúcha: firme como o vento minuano, acolhedora como um abraço ao redor do fogo. Ela equilibra coragem e sensibilidade. Trabalha fora, lidera negócios, organiza eventos, participa de rodeios, mas também encontra tempo para preservar rituais simples, como passar a cuia de mão em mão em um fim de tarde.
A tradição gaúcha sobrevive porque é vivida no cotidiano. Está no jeito de falar, nas expressões típicas, no orgulho de usar um lenço no pescoço ou uma saia rodada em dia de festa. E são as mulheres que garantem que esses detalhes não se percam no ritmo acelerado do mundo moderno.
Elas organizam semanas farroupilhas, coordenam invernadas artísticas, lideram projetos culturais e incentivam crianças e jovens a se aproximarem das suas origens. São guardiãs de um legado que não pode ser esquecido e que, graças a elas, segue pulsando forte.
Valorizar as mulheres que mantêm viva a tradição gaúcha é reconhecer que cultura se constrói todos os dias, nos pequenos gestos. É entender que cada receita ensinada, cada história contada e cada dança ensaiada representa resistência e amor pela própria terra.
Que nunca nos falte orgulho de ser quem somos. E que nunca faltem mulheres dispostas a manter acesa a chama da tradição. Porque, no fim das contas, ser gaúcho é carregar no peito um sentimento que atravessa gerações. E são elas, fortes, determinadas e apaixonadas pela sua terra, que garantem que esse sentimento continue vivo, de mãe para filha, de avó para neta, de mulher para o mundo.
Aqui na Garfo e Bombacha, as mulheres são verdadeiras protagonistas da Noite Gaúcha!


